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segunda-feira, dezembro 26, 2016

BRASIL EM CHOQUE: Mãe de menina que era agredida e estuprada dizia que criança tinha que sofrer


A delegada titular da Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (Dcav), Juliana Amorim, afirmou, em entrevista nesta segunda-feira, que já foram identificados dois suspeitos de estuprar e submeter a maus tratos uma menina de 7 anos.
A mãe da criança, que permitia os abusos, foi presa ao tentar fugir, em Nilópolis, na Baixada Fluminense, para uma comunidade no Rio. Ele é suspeita dos crimes de estupro de vulnerável e tortura, praticados contra a filha. A menina está internada numa UTI pediátrica sem previsão de alta médica.

— O caso começa no nascimento da criança. Ela foi abandonada, criada por várias pessoas e viveu um ciclo de violência, que foi interrompido pela polícia. Ela foi abandonada pela mãe. Quando voltou aos braços da mãe, esta fazia tudo para infligir sofrimento a ela. A mãe dizia: ‘Tenho nojo dessa criança’ — relatou a delegada.

Segundo as investigações, a suspeita, de 44 anos, permitia que homens que frequentavam sua casa praticassem sexo e outros atos libidinosos com a criança. Dentre os suspeitos, estão um avô de consideração e o próprio pai da menina. Segundo uma testemunha, a menina tinha objetos inseridos no corpo – o que coincidiu com a análise médica.

— A mãe tem asco da criança. O estado de saúde da menina é ruim. Ela tem fisionomia triste e não responde estímulos verbais. A irmã de 12 anos presenciava as agressões e era obrigada pela mãe a participar. A mãe ameaçava parentes para não prestarem depoimento contra ela. Mas existem familiares que querem a guarda da criança e eram impedidos pela mãe — disse o delegado Rodrigo Moreira.

O delegado disse ainda que a mãe também teria sofrido violência sexual, e tem um histórico de vícios e agressões. Ela tem pelo menos sete filhos e oferecia as crianças.

PRISÃO EM FLAGRANTE

Em 5 de dezembro, a mulher foi presa em flagrante pelo crime de maus tratos contra a filha. Segundo a Polícia, a suspeita teria levado a criança a uma unidade de atendimento médico, onde alegou que ela havia se ferido em uma queda. Os profissionais de saúde observaram que as lesões não eram compatíveis com as alegações da mãe e acionaram a polícia. O delegado de plantão autuou a mãe em flagrante pelos maus tratos e, por terem sido observadas lesões sugestivas de abuso sexual na criança, encaminhou nova investigação, desta vez por estupro, para a Dcav.

Em audiência no dia seguinte, a mãe da criança conseguiu o direito de responder pelo crime em liberdade. Após reunir novas provas, a delegada pediu a prisão da suspeita, que foi decretada pela Justiça. A mãe, então, foi presa novamente na última sexta-feira.

Segundo a delegada, a mãe da menina nega todos os crimes e diz que considerava tudo “absolutamente normal”. A irmã da vitima, de 12 anos, cujo testemunho é considerado fundamental, deve ficar com uma tia.

Essa menina de 12 anos era obrigada, ainda de acordo com a delegada, a bater na irmã.

— O atual companheiro da suspeita chegou a dizer que considerava terminar com o relacionamento porque ela era muito agressiva com as crianças — afirmou.


O Globo

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